Fique atento aos sinais

As enfermidades encontradas em relatos médicos e de pacientes após o período de quarentena são diversas e podem levar a morte se não tratadas



Por: Alessandro Schneider

Ainda sem confirmações científicas por se tratar de uma doença nova, a Covid-19, ao que tudo indica vem deixando um rastro de sequelas em pacientes que passaram pelo período de contágio, e principalmente o que necessitaram de internação. Problemas cardíacos, vasculares, dificuldade de raciocínio, disfunções visuais, renais, mobilidade e coordenação motora são algumas das enfermidades já apresentadas por cidadãos.

O servidor público e professor universitário, Thiago Augusto Duarte, é um dos acometidos pela Covid-19 e que agora precisa realizar exames e tratamentos na busca de desvendar os mistérios das sequelas adquiridas. Como escrevemos anteriormente, a comprovação científica ainda não veio, mas este é um caso claro de que as enfermidades posteriores a contaminação pelo coronavírus, possuem estreita relação com a pandemia.

Thiago comenta que ele e a esposa se contaminaram e fizeram a quarentena em casa, sem precisar de auxílio médico. No entanto, dez dias passados, estavam se preparando para voltar ao trabalho, quando a esposa começou a sentir-se mal.



“A falta de ar incomodava e ela então fez alguns exames, que constataram 75% dos pulmões comprometidos e, no dia 5 de março, uma sexta-feira, foi internada no Hospital Maicé. Um dia depois, no sábado, eu fui até o hospital levar mais roupas para ela, quando acabei passando mal dentro do Maicé. O mesmo médico que tratava minha esposa me atendeu, fez exames e diagnosticou 25% dos pulmões tomados. Antes disso eu só tinha uma tosse. A recomendação na hora foi que eu também ficasse internado, aproveitando que havia um leito disponível. Dai para frente meu quadro piorou mesmo sendo medicado. Fiquei internado do dia 6 a 17 de março, e quando tive alta, meus pulmões ainda estavam 50% comprometidos e minha esposa 25%”, relata.

Thiago também disse que pouco tempo antes, havia realizado cirurgia bariátrica, por ser obeso, e por conta disso tinha medo de contrair a Covid-19 e não resistir. “Os médicos disseram que a cirurgia pode ter me salvado, porque minha saturação era maior do que eu tinha antes. Agora já estamos em casa, mas fazendo uma série de exames. Estou investigando um problema cardíaco que apareceu, uma fissura em corda vocal, e tanto eu quanto minha esposa temos algumas dificuldades na junção de palavras ao pronunciar, como se fossem falhas na memória. Ela também possui falhas ao respirar. Estamos correndo em vários médicos especialistas, fazendo levantamentos de como as coisas ficaram. Não sabemos de fato todas as sequelas. Bombinhas para asma que nunca usei, estamos usando os dois. É uma situação delicada”, explica.

Thiago diz que o casal e o filho estão felizes por estarem vivos, mas são provas de que as sequelas existem e precisam ser administradas. “Os médicos disseram que pode levar um tempo para nos recuperarmos totalmente e até mesmo algumas sequelas podem ser permanentes, não sabemos. Essa semana fizemos outra tomografia e os meus pulmões continuam com 50% de comprometimento, os da minha esposa estão limpos. Estamos fazendo fisioterapia respiratória, motora e fonoaudiologia. Depois que voltamos para casa, reavaliamos nossas vidas, selecionando as atividades, diminuindo ritmo de trabalho, pensando mais em ter momentos em família, pois muitas vezes entramos neste espiral de trabalho, do capitalismo, e esquecemos de viver. Nossa vida é um sopro e como perdemos muitos amigos para a Covid, é assim que pensamos. Outra coisa que só se dá conta em momentos como esse, é em relação as pessoas que gostam de você. Somos muito gratos pelas mensagens de apoio, as orações e o carinho recebido neste período. Com certeza, fez toda diferença. Também agradecemos ao médico que nos atendeu, Alberto José Rodriguez Rengifo, e toda a equipe do Hospital Maicé, pois fomos muito bem atendidos dentro da realidade que se encontra o hospital em meio a esta pandemia”, define o caçadorense.

Aumento de casos de Trombose Venosa Profunda

De acordo com relatos de médicos na área da cirurgia vascular, um alerta deve ser dado, pois a incidência de diagnósticos de Trombose Venosa Profunda tem aumentado em pacientes pós Covid. A ligação com o coronavírus ainda não foi comprovada, mas o aumento exponencial de casos justamente em um período pandêmico, em pessoas que já contraíram o vírus, e que nunca tiveram problemas relacionados a isso, leva a crer que estes problemas vasculares são resultados do estrago feito pelo vírus no organismo.


Em Caçador, a Trombose Venosa Profunda tem aparecido em pacientes após saírem do período de quarentena da Covid, em forma de dores musculares na perna (desconforto, fisgadas, inchaço), mais especificamente na panturrilha. Em muitos casos as pessoas não procuram auxílio médico, por entender que trata-se apenas de um espasmo muscular ou algo do gênero, quando na verdade já possuem uma lesão grave. A Trombose Venosa Profunda pode levar a pessoa a um quadro de embolia pulmonar e até mesmo ao óbito.

Mas como ainda tudo são relatos, vamos seguir contando as histórias recentes, para que ao menos os cidadãos acometidos pela Covid-19 fiquem atentos aos sinais, em todo o corpo, e entendam que esta doença, mesmo que sem comprovação científica, está se apresentando de forma sorrateira, e fazendo com que pessoas tenham problemas severos de saúde posteriores a contaminação. Muitos são os casos, inclusive em Caçador, de pessoas que morreram “em decorrência” da Covid-19, tendo até mesmo saído do período chamado de quarentena, mas vindo a óbito por outras comorbidades, que sim, podem ter sido despertadas pelo coronavírus. Outras escaparam, mas continuam em tratamento, dos mais diversos, pois cada organismo responde de uma forma a Covid-19.

Síndrome pós-Covid: Detecção e tratamento

Com mais de 11 milhões de indivíduos curados da Covid-19 no Brasil até o momento, é justo se preocupar com uma possível epidemia subjacente e mais silenciosa. Estamos falando da síndrome pós-Covid. Em estudos, até 80% dos recuperados sentem ao menos um sintoma até quatro meses depois do fim da infecção.

Casos graves da doença, que exigiram internação e UTI, tendem a abalar mais o organismo no longo prazo. Mas a verdade é que os episódios leves também podem deixar marcas prolongadas.

Uma revisão sistemática e meta-análise, divulgada em janeiro por pesquisadores norte-americanos (ainda em revisão por outros cientistas), lista 50 queixas das mais variadas. Na mesma linha, uma revisão de literatura publicada na Nature dá a dimensão do problema em oito âmbitos, da pele ao cérebro.

“Temos certeza que a infecção está longe de ser apenas uma questão localizada e passageira. Há repercussões prolongadas em vários órgãos”, comenta a fisiatra Linamara Rizzo Battistella, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

De maneira geral, as principais manifestações do pós-Covid relatados até agora são:

Fadiga
Falta de ar
Dores de cabeça
Dores musculares
Queda de cabelo
Perda de paladar e olfato (temporária ou duradoura)
Dor no peito
Tontura
Tromboses
Palpitações
Depressão e ansiedade


 
Dificuldades de linguagem, raciocínio e memória

Mal-estar e queixas como dores de cabeça e perda de olfato tendem a se resolver sozinhos. Agora, se o incômodo é intenso, o ideal é procurar atendimento médico. Sim, dá para conter os danos e intervir antes que algo pior aconteça.



Para ter ideia, um dos braços da iniciativa Coalizão Covid-19 Brasil acompanhou cerca de mil indivíduos internados e concluiu que até 17% tiveram que ser hospitalizados novamente tempos depois – e 7% morreram até seis meses depois da alta. Os dados são preliminares, e ainda não foram publicados em periódicos científicos.

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