Cigarrinha do Milho ataca e destrói lavouras em Caçador

Problema é observado em todo o Estado e autoridades já se posicionaram para buscar auxílio aos produtores rurais

Uma praga que tem dado muita dor de cabeça para os produtores rurais do Estado e região. A cigarrinha do milho, que de acordo com especialistas sempre esteve presente, desta vez resolveu se manifestar de maneira diferente, ocasionando perdas severas em diversas lavouras de milho em Caçador e municípios vizinhos. As informações são da Epagri, e também de produtores da região, alguns perdendo grandes porcentagens do plantio e amargando prejuízos.



O engenheiro agrônomo da Epagri, Daniel Alexandre Suski, explica que a cigarrinha é um inseto que sempre esteve presente nas lavouras, só que nunca causou problemas que trouxesse prejuízos para a lavoura como agora. Este inseto suga a seiva da planta do milho, e quando está contaminada com vírus ou bactéria, como é o caso agora, provoca as doenças que estão “derrubando” os pés de milho. Portanto, a cigarrinha é o inseto vetor da doença que provoca a queda do milho e os consequentes prejuízos, e os fatores que levam a isso estão ligados ao manejo do plantio e questões climáticas.

“Alguns municípios possuem perdas maiores que outros, e isso varia pelo clima. Se é um local mais quente tem mais prejuízos, o período em que foi plantado o milho também influencia, e a tecnologia que o produtor investiu em sua propriedade para os cuidados da lavoura também impactam no resultado. A Epagri juntamente com as secretarias municipais de agricultura estão trabalhando nestes levantamentos para posteriormente lançar um documento em conjunto”, comenta Daniel, ressaltando que este é um problema que ocorre no Estado inteiro com relação as lavouras de milho.

Muitas são as lavouras atacadas pelas Cigarrinhas e os prejuízos por enquanto são contados apenas no olhar dos produtores. O caçadorense Clari Coldebella, da linha São Pedro, apresentou em sua lavoura de milho o que a doença causada pelo inseto já deixou de rastro.



São diversos pés de milho literalmente “deitados”, caídos, já que o vírus ou bactéria depositados pela cigarrinha secam os nutrientes da planta, que fica seca e quebradiça, o que não ocorre com um pé de milho saudável. Na palha também fica nítido o ataque da praga, com as folhas escurecidas e a espiga praticamente esfarela em seu miolo, apresentando também grãos de coloração mais escura e fracos. O peso entre uma espiga saudável e a infectada também é enorme. A espiga doente fica muito leve, por estar perdendo suas propriedades.



“Somente na hora da colheita teremos certeza dos prejuízos. Mas o que dá pra ver andando pela plantação é que uns 40 a 50% serão perdidos. Nunca ouvi falar dos prejuízos da cigarrinha e fizemos nosso plantio como sempre foi. Infelizmente fomos atacados. Vamos ver se isso irá continuar, porque dai teremos que pensar em outra cultura para as próximas safras, para evitar mais prejuízos. Agora não há mais nada a ser feito”, declarou o agricultor, que em média colhia 3.500 sacos de milho, e projeta para agora cerca de 2000 sacos, pelas perdas ocorridas.

A cigarrinha do milho

Em meio à diversidade de insetos que causam prejuízos na agricultura, a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é atualmente considerada uma das mais severas pragas na América Latina.  

Essa cigarrinha é especialista em plantas de milho e o problema ocorre por ela succionar a seiva das plantas e transmitir vírus e molicutes do enfezamento do milho.  



A infestação por D. maidis vem aumentado em várias regiões do Brasil, fazendo com que a doença que transmite (enfezamentos) também ganhe cada vez mais importância.

São observadas perdas de 70% ou mais na produção em campos de milho no Sul, Goiás, Triângulo Mineiro, noroeste de Minas Gerais e outras regiões do país.

Diante desse problema, é necessário entender mais sobre a bioecologia, comportamento do vetor e sua interação com o complexo de enfezamentos do milho para melhorar o seu manejo. 

Características

A cigarrinha-do-milho (nome científico Dalbulus maidis) pertence à ordem Hemiptera e família Cicadellidae. São insetos de tamanho reduzido, com 0,4 cm, de coloração branca a palha e duas manchas pretas na parte dorsal da cabeça.  



Os indivíduos têm período embrionário de 5 a 10 dias, fase de ninfa de 14 a 16 dias, levando em média 24 dias para chegar à fase adulta.  

Essa fase apresenta longevidade média de 45 dias, que varia em uma mesma população e com a temperatura ambiente. 

O que a cigarrinha faz com o milho? 

Esses insetos provocam injúrias nas plantas de milho pela sucção de seiva, injeção de toxinas e transmissão de fitopatógenos, principalmente aqueles relacionados aos enfezamentos.  



A cigarrinha se torna transmissora desses fitopatógenos após se alimentar em uma planta infectada. Para isso, o inseto necessita alguns segundos ou horas de sucção para adquirir e posteriormente transmitir os fitopatógenos a outras plantas de milho. 

Os adultos da cigarrinha podem se alimentar de outras plantas da família do milho, mas só se reproduzem em cartuchos de plantas de milho.  

Na entressafra, as cigarrinhas sobrevivem e se multiplicam em tigueras de milho ou outras lavouras de milho para as quais os adultos se dispersam pelo voo.  

Vereadores apresentam Moção de Apelo buscando apoio para agricultores 

Os prejuízos registrados por agricultores locais na safra do milho decorrentes do ataque da “cigarrinha-do-milho” têm preocupado os vereadores de Caçador. O assunto foi abordado esta semana após aprovação de Moção de Apelo dos vereadores Fabiano Dobner (PL) e Jean Carlo Ribeiro (PSD), solicitando ao governador Carlos Moisés e ao secretário de Estado da Agricultura, ao prefeito Saulo Sperotto, à presidência da AMARP e Defesas Civis Municipal e Estadual, a efetivação de medidas que visem assessoria, acompanhamento e subsídios financeiros aos produtores afetados.

Segundo eles, várias propriedades de Caçador da região estão sofrendo com estes ataques de forma repentina, já que é a primeira vez que se tem registros tão expressivos. As perdas das lavouras começaram a ganhar maior visibilidade às vésperas da colheita do milho, apanhando os produtores rurais de forma inesperada.

“Esta situação muito nos preocupa pois com a perda em massa da produtividade inúmeros problemas surgem, como por exemplo a dificuldade de honrar com os compromissos financeiros perante às agropecuárias e bancos para custeio da lavoura, falta de estímulo da atividade agrícola, queda na economia do município e região, êxodo rural, entre outras”, destacam os autores da propositura.

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