Político nenhum pode ser tirado pra “tanso” (uma palavra falada pelos manezinhos e significa tolo). A política é um jogo onde você aprende a jogar ou sai da mesa.
Mas alguns são bem menos “tansos” que os outros. E, aqui em Santa Catarina, um desses é o senador Jorginho Mello. Estreou na política lá em Herval do Oeste, como vereador, em 1976, quando tinha menos de 20 anos.
De lá até hoje vem peleando. No seu jeito interiorano e matreiro têm feito jogadas acertadas. Conhece os ventos da política e quando vê que as velas se inclinam para um lado, não tem dificuldade de mudar de barco.
Foi eleito deputado estadual por quatro mandatos e federal por dois. Do tempo que Santa Catarina dividia-se entre Família Amin e MDB, ele já jogou dos dois lados. E sempre bem posicionado.
Entendeu o jogo e percebeu que nesses grupos já consolidados não teria muito espaço, foi atrás do seu. Assumiu o PR, hoje PL.
Assim como são todos os políticos vitoriosos que não tem berço nem grandes financiadores, lançou-se ao trabalho e viu seu partido só crescer nas últimas eleições.
Em 2018, como bom jogador, deu mais uma grande cartada. Aliou-se ao MDB (sua primeira suplente é viúva do ex-governador Luiz Henrique) e ao mesmo tempo abraçou o bolsonarismo. Acabou se elegendo senador.
Agora, Jorginho Mello, quer ser governador do Estado. Sabe que esse jogo é mais pesado. O MDB, que poderia continuar o casamento, já definiu que tem candidato próprio em 2022. Os demais partidos também fazem seus ensaios e o deixam de fora.
Mas, como Jorginho gosta do jogo ele viu na CPI do COVID a forma de assumir uma capitania hereditária de votos em Santa Catarina que é o bolsonarismo.
Será complicado defender porque faltaram vacinas para a população. Porém, suas entrevistas mostram que ele assumirá a defesa do presidente na CPI.
Quem acompanha a política mais de perto e com olhar mais crítico, percebe que a cada dia o bolsonarismo diminui. Só que em Santa Catarina talvez seja a unidade da federação onde o capitão tem o maior número de fãs proporcional ao eleitorado. E Jorginho sabe disso.
Por isso, como um jogador de pôquer ele vai para o “all in” na CPI do COVID. Vai esvaziar o pote na defesa do capitão. É possível perceber isso. Podem ter certeza, caberá a Jorginho defender Bolsonaro nessa CPI.
Ulysses Guimarães dizia que CPI a gente sabe como começa, mas nunca sabe como termina. É um jogo de risco como todo o “all in”. Pode vir toda a mesa, mas também pode esvaziar o pote.
Jorginho é jogador, talvez não de pôquer (não sei), mas do jogo político e sabe que essa CPI pode levar suas fichas embora. Mas, por outro lado, pode lhe garantir um público fiel, quase doentio, que é o bolsonarismo.
Jorginho Mello quer ser o candidato “incensado” por Bolsonaro em Santa Catarina. Até porque, os bolsonaristas que acreditaram em Carlos Moisés e Daniela devem estar se sentindo órfãos.
Vamos esperar para ver como essa CPI termina. Se o presidente se sair bem, Jorginho se fortalece. Caso contrário, pode pagar a conta junto.

População distante da crise do impeachment
Há um certo distanciamento da população de Santa Catarina da questão crucial que envolve o nosso Governo do Estado. Carlos Moisés está afastado desde o dia 26 de março.
Na próxima sexta-feira, dia 7, o tribunal misto, composto por desembargadores e deputados se reúne novamente para julgá-lo. Desta vez lhe restituem o mandato ou mandam-no para casa.
Para ficar no cargo ele precisa apenas dos quatro votos favoráveis que teve no primeiro julgamento. Mas, antecipar qualquer resultado é dar chute no escuro.
O que chama mais atenção é que parece que isso acontece sem que ninguém de a mínima importância. Imagine se isso estivesse ocorrendo com políticos tradicionais. O Estado estaria em polvorosa.
Esse distanciamento mostra que ambos, Moisés e Daniela, estando ou não no Governo pouco muda para a vida do catarinense.
Mas existe com isso uma insegurança. Imagina alguém que está se preparando para investir em Santa Catarina e não tem ideia nem quem seja ou será o governador?
Com isso, o Estado vive um marasmo político-administrativo. Não existe planejamento nem a curto ou médio prazo. Não existe uma política de Governo que apresente algo palpável aos catarinenses.
Existe hoje, na prática, uma governadora que busca alojar no poder um grupo que assume cargos sem sequer saber se vão permanecer neles.
Nessa semana trocou o secretário de Desenvolvimento Econômico e os presidentes da Santur e da Fundação de Cultura que podem, caso Moisés volte, permanecer no cargo por apenas uma semana.
Será que não dava para esperar a decisão definitiva da semana que vem para montar um Governo? Santa Catarina só perde com essa dupla de incompetentes.

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