Bem antes das pegadinhas de televisão serem inventadas, três caçadorenses se aproveitaram de um momento político e aplicaram uma pegadinha em alguns ocupantes de cargos comissionados do Governo do Estado à época.
Dois deles já são falecidos. Mas um está em Caçador, vivo e são de lombo. Em respeito aos falecidos, que não estão mais entre nós para se defender, vou omitir o nome dos três. A história é muito boa e merece ser contada.
Em 1986, pela primeira vez o MDB venceu uma eleição estadual, com Pedro Ivo, governador, e Casildo Maldaner, de vice. Até então, desde o golpe de 1964 o mesmo grupo político comandava Santa Catarina. Isso fez com que algumas pessoas se perpetuassem nos poucos cargos públicos estaduais comissionados que havia no município.
Na época, havia os chefes da Telesc, da Celesc, da Estação Experimental, da antiga Fucat, antiga Ucre (hoje CRE) e do extinto DER. Basicamente eram esses os cargos de livre nomeação do Governo do Estado em Caçador. Com a mudança do governador, entrando um partido até então de oposição, era natural que os ocupantes dos cargos fossem substituídos.
Pedro Ivo e Casildo Maldaner tomaram posse em 15 de março de 1987 e a turma foi ficando nos cargos, aguardando os acontecimentos. Óbvio que, se possível, gostariam de ficar.
Foi aí que começou a criatividade do trio. Naquela época não havia identificador de chamadas nos telefones e muito menos telefones celulares.
Um dos três tinha um irmão que morava em Florianópolis e ajudou na pegadinha arranjando uma mulher para participar da brincadeira. Da capital, uma “possível” secretária, com um sotaque de “manézinho” disparou telefonemas para os chefes de órgãos públicos de Caçador.
A conversa era mais ou menos assim:
- Você sabe que mudou o Governo, mas nós do MDB não temos gente qualificada para colocar nos cargos. E já pesquisamos e sabemos que você faz um bom trabalho. Estamos lhe convidando para continuar.
Depois que o “felizardo” agradecia pela deferência, vinha o porém:
- Só tem uma coisa. Hoje à tarde, pelas cinco horas, você pega esse quadro do Esperidião Amin que tem aí na parede e vai lá ao gabinete do prefeito Onélio Menta trocar por um quadro do governador Pedro Ivo.
Sim, naquela época o prefeito era o Menta e nas repartições públicas haviam quadros com a foto do governador. Essa prática durou até a entrada de Luiz Henrique, em 2003.
Por volta das 17 horas os três foram para frente da Prefeitura e ficaram olhando quem se atreveria a trocar o quadro para ficar no emprego. Mais da metade dos comissionados chegou à ante sala do prefeito com um quadro do Esperidião Amin debaixo do braço. Os mais afoitos sequer enrolaram num jornal para disfarçar.
O mais engraçado foi no gabinete do prefeito. Ninguém conseguia entender o que estava acontecendo. Aquele pessoal “do contra” com quadro do Amin para trocar por quadro do Pedro Ivo.
Nessa hora, perceberam que caíram numa super pegadinha. Quando deixaram o prédio da Prefeitura, com os quadros embaixo do braço, viram os três “companheiros” políticos rindo do outro lado da rua.
Mas, mesmo coma pegadinha alguns foram mesmo mantidos nos cargos, já outros acabaram sendo substituídos.

Partidos pouco influenciam na eleição presidencial
Desde que os brasileiros voltaram a votar em presidente da República, em 1989, siglas partidárias tem pouca influência no voto. Ou seja, o eleitor escolhe seu candidato baseado em alguns princípios (o principal deles é a economia) e pouco pelo partido.
Como exemplo, em Caçador, naquela eleição, no primeiro turno Fernando Collor, do PRN, foi o mais votado com 7.582 votos. Seguido de Leonel Brizola, do PDT, com 6.640 votos, e Lula da Silva, do PT, com 3.550 votos. Esses partidos tinham pouquíssima representação no município, mas mesmo assim seus candidatos foram os mais votados.
Afif Domingos, do PL, que teve o apoio dos empresários caçadorense na época, ficou em quarto lugar com 2.783 votos. Mário Covas, do PSDB, que estava sendo criado no município, obteve 2.185 votos.
Mas o principal exemplo vem com os candidatos dos dois maiores partidos da época em Caçador. Ulysses Guimarães, do MDB, fez 2.130 votos, e Paulo Maluf, do PDS, ficou com 1.191 votos.

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