A violência doméstica na visão de uma Bombeira Voluntária

10 Agosto 2017 17:49:03

Cristine vivenciou as agressões dentro de casa em sua infância e atualmente atende ocorrências semelhantes ao seu caso

Andrielli Zambonin

Seguindo com as entrevistas da série: Uma realidade nada cor de rosa, a história de hoje é com a bombeira voluntária Cristine Mayara da Silva. As ocorrências de violência domestica são frequentemente atendidas pelos Bombeiros Voluntários de Caçador. A corporação de inicio é chamada para atender uma vítima de agressão, ao chegarem ao local, é que é constatado se deve ou não chamar a polícia para averiguar a situação.

Cristine presenciou de perto a situação de vulnerabilidade com relação à violência domestica. Dentro de casa, ainda na infância, Cristine via sua mãe sendo agredida pelo seu pai. "É doloroso falar disso, mas acredito que sirva para encorajar outras mulheres. Não era fácil ver aquela cena. Doía em minha mãe, mas destruía o meu coração ver e não poder ajudar", conta Cristine emocionada ao lembrar-se dos momentos em que o pai realizava as agressões contra a mãe.

Cristine tinha dez anos quando as coisas mudaram. "Minha mãe se cansou, e tomou uma atitude". Apesar dos boletins de ocorrência registrados contra o pai de Cristine, as agressões eram frequentes. Enquanto a mãe trabalhava para sustentar a família, o pai de Cristine saia para bares e voltava revoltado, batia na mulher e nas filhas, quebrando cada vez mais o vínculo de amor que poderia existir. "Teve uma época que minha mãe chagava a dormir com uma faca embaixo do travesseiro, ele a ameaçava, tentou matá-la. Quando eu tinha dez anos minha mãe abriu os olhos e deu um basta na situação". A mãe de Cristine pediu o divórcio, se separou, e desde então a vida delas e das filhas melhorou e nunca mais foram agredidas.

"Hoje minha mãe é casada com outro homem, moro com ela e vejo que é uma pessoa feliz. Tenho muito a agradecer a ela, pois, ela foi para mim e minha irmã além de mãe, mas também pai", afirma Cristine.

Atualmente na profissão em que exerce, Cristine atende casos parecidos com a situação em que viveu, ela comenta que não é nada fácil. "Toda vez que chego para atender uma ocorrência assim, me lembro do que aconteceu com minha família, mas nunca comento. Sempre procuro ajudar as mulheres conversando com elas". Cristine ressalta que o máximo que podem fazer é auxiliar a vítima a procurar ajuda com os órgãos competentes.

A maioria das mulheres sente medo ou vergonha de informar os bombeiros do que realmente aconteceu. "Geralmente elas pedem para chamar a polícia e falam apenas no hospital. Muitas delas são dependentes do marido e acham que não conseguem viver sem eles, mas o conselho que dou é que todas conseguem. Devem denunciar e sair dessa situação que causa mal tanto a mulher quanto aos filhos. As mulheres podem viver sem ajuda dos agressores, até mesmo porque a grande maioria dá o tipo de ajuda superficial que as mulheres não precisam".


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