A vida diante da deficiência, há vida diante da deficiência

14 Junho 2017 18:09:00

A deficiência é apenas um detalhe superado na vida de Gabriel

Andrielli Zambonin

O mundo atualmente passa por um período onde muitas pessoas não valorizam o que possuem, em meio a ganancia, acaba-se reclamando sem saber agradecer, achando que se está sempre em uma situação difícil na vida. A história de Gabriel Emmer é um exemplo incontestável de superação e amor pela vida. Gabriel possui uma deficiência chamada paralisia cerebral espastica que compromete a coordenação motora dele. Apesar das dificuldades, Gabriel tem uma felicidade dentro de si capaz de amolecer qualquer coração.

Tudo começou no dia dois de outubro de 1981, no interior de Porto União a mãe passava por dificuldades, Sofia Ana Emmer, esperava o quarto filho. Nove meses de gestação, o tempo passava e Sofia já não aguentava as dores do parto, à distância até o hospital dificultou a chegada e mesmo sem muito conhecimento, Sofia sabia que algo errado estava acontecendo. Naquele dia nasceu o menino que trouxe uma luz especial a sua vida, Gabriel Emmer veio ao mundo aparentemente bem. Segundo os médicos, o menino era normal e saudável, porém, a intuição de mãe não engana, e logo no segundo dia, Sofia já percebia que tinha algo errado com o filho. "Ele chorava horas sem parar, não dormia, não mamava, eu sabia que isso não era normal. Levei ele ao médico, o médico afirmou que tudo estava bem, que eu não precisava me preocupar. Quando Gabriel fez seis meses o pior começou. Ele tinha convulsões seguidas, mas naquela época eu nem sabia o que era convulsão, nunca tinha visto mas ficava muito assustada toda vez que via acontecendo. Levei ao médico que novamente me disse que era normal, segundo ele, 'crianças pequenas costumam se assustar', mas minha preocupação era grande demais para deixar o assunto quieto, minha intuição continuava falando mais alto".

A tia de Gabriel, fez o pedido para Sofia lhe trazer até Caçador, segundo a tia, um médico excelente estava ganhando fama na cidade. Sofia, sem mais opções, trouxe Gabriel para Caçador, onde foi atendido pelo doutor Vatutim. "Aquele médico foi um anjo, logo de cara viu que meu filho não estava normal, então ele nos encaminhou novamente para Porto União para consultar com uma médica especialista da cabeça, pois aquela época não tinha em Caçador. Voltamos para lá, e o diagnostico foi que parte do cérebro do Gabriel havia paralisado, por isso ele não falaria e nem andaria", conta Sofia.

Em 1983 Sofia e a família vieram morar em Caçador. Gabriel fazia tratamento com remédios e, após dois anos as convulsões pararam. Gabriel frequentava a Apae mas a família tinha esperança que as coisas pudessem mudar, semanalmente faziam viagens para diversas cidades em busca de alguma solução para o problema. "Até que na última viagem que fizemos o médico nos disse que não adiantava mais ficar correndo pois isso era irreversível, o Gabriel não iria andar".

Sofia conta que passou por uma dor tremenda. Erros médicos e falta de conhecimento fizeram com que a vida de Gabriel fosse brutalmente afetada. "Foi triste, mas precisei e ainda preciso ser forte. Cuido do Gabriel e faço o possível para ele. Ele é uma pessoa muito especial, inteligente, faz muita coisa que eu mesma não saberia fazer. Na internet ele se comunica muito bem, ouve musicas, mas, o que ele mais gosta é pintar. A arte é uma das paixões de Gabriel, eu tenho que auxiliá-lo, se cai o lápis, caso ele queira a tinta, nessas coisas eu ajudo, mas o trabalho todo quem faz é ele. Acredito que seja um exemplo de vida. Eu agradeço a Deus todos os dias por não ser pior, vejo muitas mães em situações piores que o caso do Gabriel não surpreende", conta Sofia.

Gabriel começou a pintar aos cinco anos, desde então ele não parou mais. Além disso, ainda prática bocha adaptada, teatro, dança, música e já fez parte do legislativo da Câmara Mirim.

Ele também namora uma pessoa que é cadeirante. Em um vídeo disponibilizado na página do Facebook "Gabriel Emmer - Arte Especial", Gabriel é interpretado e afirma que quer aprender ainda mais. "A minha deficiência não é o limite, pois posso ir mais longe superando os limites, a deficiência é só um detalhe, o amor à vida e a arte me dá a força que preciso para praticar a minha arte e seguir em frente".

O Gabriel usa as obras de arte como fonte de renda, para adquirir uma de suas obras basta entrar em contato com ele pela página no Facebook "Gabriel Emmer - Arte Especial".

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