Uma vida e duas pandemias

Caçadorense foi acometida pela gripe asiática em 1957 e agora faz o alerta para que todos levem a sério o novo coronavírus

A pandemia de gripe de 1957 a 1958, também conhecida como gripe asiática, foi uma pandemia global do vírus da gripe A, subtipo H2N2, que se originou em Guizhou, China e matou pelo menos um milhão de pessoas em todo o mundo. Em Caçador, a professora aposentada, hoje com 83 anos, dona Ieda Romagna Tortato, passou pela pandemia de 1957 e resolveu contar essa história, porque até hoje sofre com as sequelas da gripe. Ela deseja que agora, na pandemia do novo coronavírus, as pessoas se cuidem.

Dona Ieda sentiu na pele os efeitos da contaminação com a gripe asiática. Natural de Garibaldi-RS, veio ainda jovem para Caçador com a família, que atuava no ramo da madeira. Em 1957, aos 21 anos, ela foi contaminada pelo vírus.

“Até hoje sofro as sequelas, com uma faringite crônica, que me incomoda muito e ninguém conseguiu curá-la. Naquela época a população mundial era menos numerosa e a medicina mais precária. O que havia de recursos, não chegava às cidades interioranas. Os meios de comunicação, como rádio, tv e jornais impressos, não eram acessíveis à grande parte das pessoas, que não tiveram informações sobre a gravidade da gripe asiática, nem como ao menos tentarem se prevenir, por isso não foi levada a sério e matou tantas pessoas”, lembra dona Ieda.

A caçadorense se recorda que era época de sua formatura pelo Colégio Nossa Senhora Aparecida, e mesmo doente compareceu, com um belo vestido longo do qual fez questão de lembrar. Nessa mesma época ela já lecionava na Escola Salgado Filho, hoje Dom Orlando Dotti, onde também foi diretora anos depois. Mas naquele ano de 57, tudo foi mais difícil. 

“Fui ao médico em Caçador e a um especialista em Curitiba. Me receitaram pastilhas, que não adiantaram em nada. Diziam ser bronquite asmática, nada amenizou esse incômodo crônico na garganta que sinto há mais de 60 anos”, explica dona Ieda, ressaltando que os principais sintomas eram o de uma gripe comum, porém, de uma letalidade que ninguém imaginava, como está sendo hoje com o novo coronavírus. Ela teve febre alta, tosse, dor de garganta e momentos de fraqueza física.

Como professora, lembra-se como se fosse hoje, que passou três dias se comunicando com os alunos através do quadro negro, pois a voz já não saia mais devido aos incômodos provocados pela gripe asiática. Lembrando sempre, que naquela época devido as poucas informações, não haviam restrições de distanciamento, entre outros protocolos como é hoje, e a vida seguia normalmente. Com isso, dona Ieda não deixava de cumprir seus compromissos, e o de educadora era o mais importante.

“Quando vi as notícias do novo coronavírus e os sintomas, percebi que não era muito diferente do que passei. Resolvi então contar a história daquela pandemia, que hoje está esquecida. Para que as pessoas desse nosso tempo, em pleno século XXI, com muito mais recursos de informações, prevenção e medicamentos, levem muito a sério esse coronavírus, que ouçam as autoridades, governantes, agentes de saúde, enfim, todos os que estão empenhados nessa força tarefa que é evitar um caos mundial. Essa doença não escolhe vítimas, vamos colaborar com os profissionais envolvidos e com as medidas de segurança”, define a caçadorense.

3 COMENTÁRIO(S)

  1. Querida Professora Ieda foi minha Prof no Salgado Filho uma Pessoa Maravilhosa Humana Querida. Como foi bom ela ter nos contato o que ela passou para que as Pessoas levem mais á serio tudo oque estamos vivenciando.. Abraço Prof.. Te Admiro muito ...

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Vereador defende abertura de igrejas
Concurso Fotográfico de Macieira divulga trabalhos vencedores
Estado confirma 106.928 casos, 94.560 recuperados e 1.541 mortes por Covid-19
Delegacia da Mulher já emitiu 91 medidas protetivas em Caçador
Praça do Berger será revitalizada
Estado confirma 105.935 casos, 92.386 recuperados e 1.445 mortes por Covid-19
Com chuva mal distribuída, municípios continuam em alerta
Homenagem: Um parabéns aos pais!
Lebon Régis terá mais duas áreas de lazer