Réus são condenados a 85 anos de prisão somando as penas

Quatro foram condenados e um foi absolvido do crime de homicídio com tortura e fogo

Após quase 15 horas de júri popular, o corpo de jurados curiosamente formado apenas por homens, condenou os réus Edson Souza Silveira,  Emerson Souza Silveira Mello, Fabricio Ferreira e Luiz Diego Kraieswski. Juntos, somando as penas, os réus foram condenados a 85. Todos os réus deverão cumprir a sua pena designada em regime inicialmente fechado. Já, Gilmar Pereira de Agostinho, foi absolvido.

Os réus eram acusados de torturar e matar a vítima Marcelo Balvino Correia, na época com 22 anos. Além de responderem pelo homicídio, a acusação apontou ainda três qualificadoras. Por motivo torpe, emprego de dissimulação e recurso de dificultou a defesa da vítima, com agravante de tortura e emprego de fogo.

Luiz Diego Kraieswski, também conhecido como Curinga, condenado pelo homicídio com reconhecimento das três qualificadoras, somando a pena de 28 anos de reclusão em regime inicialmente fechado.

Fabrício Ferreira foi foi condenado pelo homicídio também com reconhecimento das três qualificadoras, porém com a atenuante da participação de menor importância. Desta forma somou a pena de 14 anos de reclusão em regime inicialmente fechado.

Edson Souza Silveira acabou condenado pelo homicídio com reconhecimento das três qualificadoras, tendo uma agravante por ser reincidente em crime hediondo, somando a pena de 20 anos de reclusão em regime inicialmente fechado.

Emerson Souza Silveira Mello, também foi condenado por homicídio triplamente qualificado, somando a pena de 23 anos de reclusão em regime inicialmente fechado.

Gilmar Pereira de Agostinho foi absolvido dos crimes, já que no entendimento dos jurados, que acataram a tese da defesa, ele teria sido confundido com outra pessoa, e que seu apelido não seria DG. De acordo com o entendimento dos jurados e seguindo a tese da defesa, Gilmar estaria apenas na hora e no local errado, tendo em vista que mensagens de whatsapp e outras provas davam certeza de que ele só tinha ido na casa de Luiz Diego para comprar droga.

O júri aconteceu na Câmara de Vereadores e contou com esquema especial de segurança, movimentando várias viaturas da Polícia Militar. Na acusação, atuaram os promotores de justiça, Felipe de Oliveira Neiva e Bianca Andreghuetti Coelho, além de componentes de uma comissão especializada em júri de faccionados. O júri foi presidido pelo Juiz de Direito André da Silva SIlveira.

Na defesa de Edson Souza Silveira,  Emerson Souza Silveira Mello e Gilmar Pereira de Agostinho estava a advogada Márcia Helena dos Santos. Na defesa de Fabricio Ferreira estava a advogada Jucemara Thibes de Campos e na defesa de Luiz Diego Kraieswski, estava o advogado Sandro da Silva de Oliveira.


Detalhe das qualificadoras

Os réus responderam por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe consistente na rivalidade entre facções criminosas, uma vez que os denunciados seriam membros do Primeiro Grupo Catarinense – PGC e a vítima, segundo apurado, teria dito ser integrante do Primeiro Comando da Capital – PCC.

A acusação apontou para que o crime fosse qualificado por ter ocorrido mediante dissimulação, pois atraíram a vítima até a residência de um dos denunciados sob o pretexto de que iriam adquirir drogas no local. A terceira qualificadora, é por terem agido mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima, tendo em vista a grande vantagem numérica dos agressores.

Os cinco condenados são supostos integrantes da facção criminosa conhecida como PGC - Primeiro Grupo Catarinense. 


Relembre o crime

No dia 6 de dezembro de 2018, entre 16h e 18h, o denunciado Fabricio Ferreira, juntamente com os demais denunciados, com a intenção de matar, atraiu a vítima, Marcelo Balbino Correia, na época com 22 anos, até a residência de Luiz Diego Kraiewski, localizada na Rua Vidal Chaves, no Bairro Santa Catarina, sob o pretexto de que iriam adquirir drogas ou algo semelhante.

Após a chegada da vítima ao local, os denunciados, com a intenção de matar, torturaram a vítima, amordaçando-a e desferindo violentos golpes, como socos, chutes e asfixia mediante o uso de um fio, causando diversos ferimentos e fraturando todos os ossos da sua face.

Por volta das 22h, do dia 6 de dezembro de 2018, os denunciados enrolaram a vítima em um colchão e a levaram até uma estrada na Linha Rio Bugre, próximo ao Espaço Bela Vista, onde atearam fogo em seu corpo, causando as lesões que foram a causa da morte da vítima.

Marcelo Balbino Correia é natural de Juazeiro do Norte, no Ceará, e estava em Caçador há pouco tempo, onde estava trabalhava como vendedor ambulante. Antes disso, ele morava em São Paulo.

 

Depoimento dos réus

Todos os cinco réus foram ouvido no tribunal de justiça. Eles entraram no plenário usando uma algema de tornozelo, e com esquema de segurança organizado pelo agentes do Presídio Regional de Caçador. 

O depoimento de todos os envolvidos foi muito parecido. Eles negaram a autoria do crime, disseram não conhecer a vítima, Marcelo, e afirmaram que só sabiam da acusação de tráfico de drogas. 

 

Depoimento do Luiz Diego Kraieswski, o Coringa

Kraieswki optou por responder apenas às perguntas do seu advogado de defesa, Sandro da Silva de Oliveira. Em depoimento, ele destacou que um rapaz havia aparecido em sua casa pedindo droga. Mas que não sabia que era a mesma pessoa que posteriormente seria encontrada morta.

“Apareceu um rapaz na minha casa me pedindo droga, falei que não tinha droga. Ele estava alterado, faltou com respeito com as meninas que estavam dentro da minha casa. Entramos em luta corporal”, disse Kraieswki em depoimento no júri popular.

Ele ainda afirmou que em sua casa teria dois cachorros da raça Pastor Alemão, e que o homem teria saído correndo e nunca mais o tinha visto. “Não sei se é o mesmo rapaz que apareceu morto. Hoje que estou sabendo que estou na acusação de homicídio. No dia em que a polícia invadiu a minha casa me falaram do tráfico, mas não me falaram do homicídio”, destacou.

 

Depoimento de Fabricio Ferreira: o Verruga

Fabrício destacou que não sabe quem é Marcelo. Negou a autoria do crime e disse que no dia dos fatos deu uma volta com o filho, chegou em casa por volta de 8h.

Ele negou fazer parte de qualquer tipo de facção criminosa. “Não tenho nenhuma ligação com facção criminosa”.

Fabrício respondeu apenas às perguntas da advogada, Jucemara Thibes de Campos. Ele também disse que não possui telefone e nem carro, que poderiam ser apontados pela promotoria de justiça.

  

Depoimento de Edson Souza Silveira: Edinho

Edison destacou em depoimento que foi absolvido em processo anterior, por envolvimento em facção criminosa. Ele negou qualquer envolvimento com o PGC.

Edson está sendo defendido pela advogada Advogada Márcia Helena da Silva. Ele destacou que na época dos fatos estava com tornozeleira eletrônica, mas que a tornozeleira estava com problemas.

“Eu informei aos agentes penitenciários que estava com problema na tornozeleira, e eles falaram para esperar que em breve fariam a manutenção”, disse em plenário.

Ele destacou que no dia do crime chegou em casa às 17h e que não tinha conhecimento do homicídio.

 

Depoimento de Emerson Souza Silveira Mello: o K2

Emerson também negou o crime e disse que não presenciou nada. Ele destacou que no dia dos fatos estava na casa de sua avó, fazendo uma pintura na parede da cozinha. 

“Só quero deixar bem claro que eu não conhecia o Luiz Diego, conheci na cadeia. O depoimento do policial não está correto”, disse em plenário.



Depoimento de Gilmar Pereira de Agostinho

Gilmar também optou por responder apenas às perguntas da advogada de defesa, Marcia Helena da SIlva. Ele negou ter cometido o homicídio. Sem falar muita coisa, ele não contou o que estaria fazendo no dia do crime. Apenas destacou que não sabia nada sobre o homicídio.

 

Testemunhas

Também pela manhã, dois policiais que acompanharam o caso deram o seu depoimento. Ambos os policiais lembraram que dias antes do crime de homicídio, a Vítima, Marcelo, havia sido vítima de um assalto, e inclusive registrou boletim de ocorrência. 

De acordo com os depoimentos, a vítima teria ido ao bairro Martello para cortar o cabelo,quando dois homens um capuz em sua cabeça, o colocaram dentro do carro, e o levaram para onde estava hospedado. Lá, Marcelo teria sofrido ameaças de morte.

Marcelo teria conseguido fugir do local e ficou pulando de telhado em telhado. Os moradores acionaram a Polícia e então ele relatou ter sido vítima de roubo. 

A Polícia Militar se deslocou até a residência de um dos autores do roubo, e acabou prendendo em flagrante os que estavam no local por tráfico de drogas.

Os policiais ainda falaram em depoimento, que de acordo com a investigação, Marcelo ficou transtornado e queria ir embora. Chegou a comprar a passagem na rodoviária, quando foi induzido a ir na casa onde aconteceu o crime.

 


DEIXE SEU COMENTÁRIO

BRK Ambiental soluciona rompimento de adutora na avenida Barão do Rio Branco
Família doa órgãos de jovem de 22 anos, vítima de acidente de moto
Reunidas é voluntária para transportar a vacina da Covid-19
Policiais destaques em 2020 recebem premiações em Caçador
Caçador deve registrar passagem de frente fria neste fim de semana
Soró assume vaga na Câmara de Vereadores de Caçador
Saiba quais são as mudanças na rótula da Transrodace, em Caçador
Mãe dá a luz a bebê em casa e é socorrida por bombeiros de Caçador
Prefeitura retoma asfaltamento da rua Tiradentes
Rótula da Transrodace passa por adequações nesta terça