VÍDEO: Policial Militar recebe alta após vencer a Covid-19 em Caçador

Eli Corrêa, 56 anos, não tinha nenhuma comorbidade e passou mais de 60 dias internado. Foi o caso mais grave de Covid-19 do Hospital Maicé que conseguiu se recuperar e sobreviver

Pra quem mora em Caçador, o sobrenome “Corrêa” soa muito familiar. Isso porque foi um Corrêa o primeiro morador da cidade. Francisco Corrêa de Mello colonizou o município e deixou descendentes. E os seus descendentes, viveram em 2020 uma tragédia para a família Corrêa. Isso porque o Coronavírus fez vítimas, inclusive uma fatal. Mas a história contada hoje, representa superação.

Policial Militar, 55 anos, exercícios físicos diários e alimentação saudável. Foi dentro deste contexto que Eli Corrêa dos Santos passou os piores dias de sua vida, internado em uma Unidade de Terapia Intensiva - UTI, após ser contaminado pelo Coronavírus. 

Tudo começou em meados de agosto. Um dos irmãos de Eli foi diagnosticado com a Covid-19, logo após dois sobrinhos também testaram positivos, e dias depois o pai de Eli foi encaminhado para a UTI do hospital, mas não resistiu e também morreu vítima da Covid-19. Dias depois a família registrava diversas pessoas que acabaram internadas inclusive na UTI, e uma soma final de dois óbitos pela doença incluindo o seu pai. 



“Mas mesmo com tudo isso eu ainda estava bem. Estava resistindo. Quando meu pai, de 82 anos, ficou doente eu precisei cuidar dele. Mas logicamente utilizei todos os recursos que tinha para me proteger. Infelizmente acabei infectado também. Cheguei no hospital com uma simples febre e terminei com a minha saturação lá embaixo e na cama da UTI entubado”, disse Eli.

Eli e sua família foram cuidadosos. Isso porque desde que o primeiro sintoma apareceu, a febre, Eli já se isolou e buscou auxílio médico. Desta forma, sua esposa e seus filhos se mantiveram seguros e não foram infectados. “Eu passei 68 dias no hospital, 62 dias na UTI e 35 dias sedado. Eu não andava, não me mexia e nem sequer falava. Foi horrível”, destacou.

Apesar de todo o sofrimento, Eli é extremamente grato ao profissionais da saúde e a todos que acreditaram em sua recuperação. Para ele, o hospital Maicé pode ser considerado uma referência na região. “Todos do hospital me trataram muito bem. Os médicos, enfermeiras, pessoas que faziam serviços gerais… todos foram muito cautelosos e cuidados comigo. Fizeram o que foi possível para me ajudar e acreditaram na minha recuperação. Eu precisava ser virado de costas e era um procedimento que exigia uma equipe de sete pessoas. E eles nunca desistiram de mim”, destacou.

Eli ainda destacou a importancia do Sistema Unico de Saúde - SUS, e a sorte em ter um leito de UTI disponível. “Acredito que sem o SUS, muitas pessoas iriam morrer. O Brasil tem muita sorte em ter o SUS. Eu também sou grato por ter um leito de UTI disponível quando precisei. Certamente se quando eu estivesse mal, se eu não conseguisse um leito de UTI, teria morrido”, destacou.

Eli viveu inclusive momentos especiais internado. Ele comemorou o aniversário de 56 anos, no dia 18 de novembro, em uma cama de hospital. Mas segundo ele, não faltou amor por parte dos profissionais do Maicé. “Eu completei 56 anos no hospital mas senti o carinho de muita gente”.


Apoio da família



Quando Eli foi parar em um leito de hospital, sua família sofreu bastante. A esposa, Zenilda Dos Santos Corrêa, quase perdeu as forças, se não fosse a ajuda dos filhos aliada a fé. “Foi muito difícil. Os primeiros dias parecia que não era verdade. Ele sempre muito cuidadoso, saudável, cobrava de mim para eu ter uma vida saudável. Então foi um susto”, disse a esposa.

Zenilda destacou que o vírus parece distante quando olhamos pelos jornais, mas que ela pode estar dentro de casa. “Quando a gente olha os jornais parece muito distante, mas quando é com alguém da nossa família, sentimos na pele o medo, a tristeza e temos que nos apegar a Deus. Orar muito, ajoelharmos e pedir a Deus pela vida de quem amamos”, disse.

Eli tem três filhos: a jovem Ana Merade Corrêa, um filho que mora em Joinville, Elnathã Corrêa e um filho que mora no Canadá, estudante de doutorado.“Quando eu vi meu tio na UTI, meu avô falecendo, eu sabia que existia a possibilidade dos meus pais se contaminarem. Então quando eu soube que meu pai estava na UTI, eu não pensei duas vezes e vim para Caçador. Meu corpo estava no Canadá mas a cabeça estava em Caçador. Falei com o meu orientador do doutorado, comprei as passagens e vim cuidar da minha família", disse Esdras Corrêa.

Sua filha Ana Merabe também fez um agradecimento "agradeço a todos aqueles que ficaram ao lado da família nesse momento difícil, aos profissionais da saúde e também da minha equipe de trabalho da Delegacia, que foram extremamente compreensivos durante vários dias de isolamento".
A esposa, Zenilda, destaca o apoio de tantos amigos. “Tiveram dias que perdemos as forças, mas Deus nos fez continuar. Minha família maravilhosa me deu muito apoio. recebemos mensagens de carinho de muita gente, muitos amigos deram apoio e apesar do momento difícil nos sentimos amados e acolhidos pelo amor de tantas pessoas”, disse.


A corrente de orações pelo mundo e a recepção de volta em casa



A o apoio não se limitou apenas entre amigos e familiares. Uma grande rede internacional de orações se criou para que Eli se recuperasse.

“Nós somos evangélicos e fazemos parte de um grupo de militares evangélicos. Todos, dos Brasil inteiro e até de fora do Brasil se uniram em orações pela minha recuperação. Isso é muito gratificante. Muitos vizinhos, mensagens de carinho no celular. A gente nem sabia que era tão amado”, disse Eli.

Eli teve alta do hospital Maicé na tarde desta quinta-feira (19). Ao sair do hospital, seus companheiros de farda estavam lhe esperando para parabenizá-lo pela recuperação. “Quando saí do hospital muitos balões, vários colegas de profissão me esperando, foi bem emocionante. Agradeço ao Tenente Alvarenga em nome de todos os amigos de farda. Em casa tinha uma faixa me dando boas vindas. Fiquei feliz e surpreso”, disse.

Eli deixa um recado para a comunidade. “Apenas a família que vive um caso grave de Covid-19, entende a gravidade dessa doença. Eu era totalmente saudável, e mesmo assim me infectei e fui parar na UTI entre a vida e a morte. Os médicos disseram que eu fui um dos casos mais graves de coronavírus do hospital que conseguiu sair vivo. Dos outros casos graves, todos acabaram mortos. Então o meu recado é para que as pessoas se cuidem. Ao primeiro sintoma já se isolem, não brinquem com o vírus, usem a máscara, álcool gel. A Pandemia não acabou. Se cada família visse alguém que ama em coma por 30 dias iria dar mais valor e respeitar o vírus”, disse Eli.

Eli definiu sua recuperação como um milagre. Ele ainda anda com dificuldade e ao falar sai um ruído consequência da traqueostomia feita para intubação. Mesmo com sequelas pulmonares significativas, ele já não sente mais dor, porém devido ao longo tempo de internação teve sua musculatura reduzida drasticamente e aos poucos irá retomar os movimentos do corpo. Eli foi um caso atípico, já que seu estado de saúde foi tão grave, que poderia não ter resistido. Apesar de tudo, a fé o manteve vivo para divulgar essa mensagem de otimismo e superação.

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