Os desafios que os pais e professores estão passando para ensinar

As aulas que eram presenciais, agora já não são mais possíveis, impondo desafios as famílias e professores

O Isolamento Social tem causado muitas mudanças de hábitos no mundo, com objetivo de diminuir os casos e impactos da COVID-19. A educação é uma das áreas que mais passa por adaptações. As aulas que eram presenciais, agora já não são mais possíveis, impondo desafios as famílias e professores. 

A diretora da EMEB Alto Bonito, Luana Rodakievis, destaca as medidas que a escola adaptou perante a pandemia. “Sabendo da grande importância do contato físico, presencial entre os professores e alunos, e esse é o maior desafio a ser vencido neste momento. Como gestora, procuramos diminuir essa distância entre as famílias, alunos, professores e a equipe da escola criando para cada turma um grupo no aplicativo whatsapp, em que nesse momento conseguimos atingir mais de 75% de nossos alunos, facilitando essa aproximação. A outra parcela de alunos, que não estão nos grupos, entramos em contato por ligação”, destaca. 



A professora Marici Menegat Franco, que trabalha com alunos do Ensino Fundamental do 1º ao 5º ano, afirma que esse momento está sendo difícil em função de que muitos alunos não possuem acesso à internet. “Estudantes estão indo até a escola buscar o material impresso e alguns não estão aparecendo, porém, a escola precisa sempre estar em contato com a família. Além do mais, como professora, aprender a lidar com as aulas virtuais não é nada fácil. O déficit na aprendizagem é grande. As crianças precisam ter o contato direto com o professor. Embora estejamos vivendo um momento desafiador, podemos lançar um leque de opções de soluções para contornar a crise. Nesse momento, acredito que os professores precisam se comportar como mediadores e não como expositores do conhecimento”, afirma. 

“Devemos destacar diversos pontos dos quais estamos enfrentando dificuldades nesta pandemia, acredito que todos de uma forma ou outra foram afetados, nós professores com a nossa regência cortada, alguns pais perderam o emprego, alguns tiveram redução de carga horária e assim por diante.  Todos tivemos que nos adaptar de uma forma ou outra, temos filhos para criar, contas pra pagar. Não acho justo a forma como suspenderam nossa regência, levando em consideração que o trabalho o qual estamos realizando em casa é muito maior do que se estivéssemos em sala de aula, e ainda assim, ninguém está em casa porque quer. É uma situação atípica que estamos vivendo, não somos apenas professores, temos filhos, marido, esposa, casa pra cuidar. Então ficou muito mais difícil. Assim como os alunos não estão indo para a escola, nós também temos nossos filhos que estão em casa e que demandam atenção”, Afirma a professora de Língua Inglesa na rede municipal de ensino de Caçador, Michelle Kate Ramthun Bonette.

Ainda Michelle afirma que também se preocupa com o alcance aos alunos que não tem internet em suas casas. “A forma de entregar atividades impressas foi uma saída, mas ainda não contemplou as fragilidades. Por isso, na elaboração das aulas, tivemos que nos reunir, via web conferências, trocar ideias com os colegas, para que cada aluno que recebesse as atividades conseguisse realizá-las sem o auxílio do professor inicialmente, apenas com a supervisão dos pais. Ainda tivemos dificuldades quanto à elaboração das atividades, pois cada professor possui um ritmo de trabalho e até antes da pandemia, estava cada qual em um determinado tema de estudo referente à sua disciplina. Mas, quero deixar registrado o empenho por parte das direções de escola e equipes pedagógicas que não estão medindo esforços para que o material chegue até os alunos”, enfatiza. 



Entre as adaptações, a professora Michelle ainda comenta que alguns colegas diretores tiveram que ir até a residência de algumas crianças para que as atividades chegassem até elas e também para atualizar os dados, como telefones. Cada professor está lecionando da sua maneira, alguns gravando vídeo-aulas para ficar mais clara a explicação para os alunos, outros gravam áudio, ou enviam textos com recados e pedidos para que as atividades sejam fotografadas e enviadas para receber o “feedback”. Além disso, Michelle afirma que a nova plataforma “Google Classroom”, deixará o trabalho mais organizado. 

A professora da rede municipal e estadual Rafaela Lopes, afirma que sente falta da interação com os alunos. “Nós professores estamos sempre nos atualizando inclusive no que diz respeito às tecnologias, mas ao meu ver, a presença do professor faz a diferença, nós sentimos falta da interação, da disciplina, dos horários e as formas lúdicas de explicação com o contato, com o grupo e o "olho no olho". Estamos na luta contra a Covid-19 e para levar a educação adiante, pois é graças a ela que chegaremos a solução para reagir melhor a esse vírus, portanto devemos nos unir, valorizar e apoiar o trabalho dos professores e não o contrário”, destaca. 



Enquanto a pandemia não passa, pais auxiliam os professores 

Maria Janaina Silva, moradora do Alto Bonito, é mãe de uma menina de oito anos e um menino de seis anos, estudantes da EMEB Alto Bonito. “Não temos acesso a internet, com isso busco as tarefas semanais na escola. Com a minha filha Evilin,  está sendo mais fácil, pois ela já está na 3º série, tendo a base. Mas ela está tendo dificuldade na matemática.  Estou tentando ensinar, porém não é a mesma coisa que o professor, pois não tenho o modo certo de fazê-la compreender”, afirma. 

Maria ainda destaca que o filho de seis anos, iniciou o 1º ano, tendo mais dificuldade em aprender. “Ele estava começando a leitura do alfabeto, porém com o isolamento, eu e meu marido passamos a ensinar. Com ele está sendo mais difícil. pois ele não tem muita atenção. Além disso, muitas atividades demandam cartolinas, tintas e outras coisas que não temos em casa. Agora estou me reversando, de manhã ajudo um e de tarde o outro. Sabemos que a situação é delicada e que é melhor termos os nossos filhos em casa, mas pedimos auxilio apenas. As escolas podiam nos fornecer lápis, borracha, lápis de cor e folhas, para podermos fazer todas as tarefas pedidas”, afirma. 

A Viviana Grando Dellai, moradora do Bairro dos Municípios, comenta como foi o processo de adaptação com a filha que estuda no Colégio de Aplicação. “Minha filha, Letícia Dellai de Vargas, tem 11 anos, e está no 6º ano do ensino fundamental. Confesso que não estávamos preparados para essa mudança de cenário que ocorreu este ano, foi um período de adaptação bem difícil. No início não sabíamos utilizar corretamente as ferramentas e acredito que os professores também não. O colégio e os professores foram se adequando rapidamente para conseguir repassar o conteúdo aos alunos”, afirma. 

“Atualmente a situação está mais sob controle, a minha filha faz as aulas síncronas durante a manhã e nos finais de semana eu reviso o conteúdo com ela, porque eu e meu marido estamos trabalhando normalmente. Ela ainda sente um pouco de dificuldade na compreensão dos conteúdos, pois não é a mesma coisa que aula presencial. Ela teve que se adaptar a uma nova rotina, pois além do colégio, tem aula de inglês, catequese, e até aula de balé que ela está fazendo online”, complementa. 

Para a Marcia Francieli Ferreira, o desafio está sendo trabalhar e dedicar um tempo para ajudar o filho, aluno da escola EMEB Alto Bonito. “Ele está no pré um, e o que estamos recebendo não corresponde à idade dele, pois vem muito trabalho e ele não tem como fazer. Teria que ser atividades de números e letras, mas em vez de ser isso, é trabalho como de lata pet e papelão, isso é para as mães fazerem, não para as crianças”, afirma. 

Aulas online

A Secretaria de Educação de Caçador está com as aulas online para os alunos das escolas municipais. Por meio do www.educacadormunicipal.com é possível dar continuidade dos estudos dos alunos matriculados desde a Educação Infantil, séries iniciais ( 1º ao 5º ano) e séries finais (6º ao 9º ano), durante o isolamento social. As aulas estão suspensas até o dia 31 de maio, segundo o Decreto do Governo do Estado.

O site dispõe também de materiais para alunos do Atendimento Educacional Especializado (AEE), uma biblioteca digital com livros e fábulas, além de um passeio virtual pelas escolas. O auxílio dos responsáveis pelos alunos será imprescindível neste momento.

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