Gêmeos de quatro anos dão água para coletores de lixo em Caçador e são recompensados

Ao chegar ao bairro das crianças, os trabalhadores já sabem que tem um ponto para beber água

O roteiro é simples: seguir o lixo. Mas é complicado seguir qualquer coisa no trânsito, que algum tempo atrás era pequeno, mas vem crescendo em formato de cidade grande em Caçador. Mesmo em bairro de ruas tranquilas, motoristas mostram impaciência com o caminhão. É comum os coletores escutarem buzinas enquanto trabalham.
E em meio às adversidades que enfrentam os coletores e motoristas do caminhão de lixo, uma atitude de generosidade feita por crianças do Bairro Santa Catarina, deixa a vida destes trabalhadores mais feliz.
O cronograma que organizada os turnos que dividem os trabalhadores por bairros fez com que o motorista Jocemir Campanha, que atua na empresa Meio Oeste há quatro anos (empresa responsável por recolher todo lixo orgânico e reciclável no município), fizesse a rota no bairro Santa Catarina. Com ele, os coletores Cassiano Portella, John Henrique Martins, David Sclate e Ricardo Pereira são os responsáveis por deixarem o bairro limpo, levando tudo que não tem mais utilidade.
 
Uma atitude exemplar

O dia começa cedo. Sob muitas manhãs e tardes com sol acima de 30 graus, a equipe começa a rota. Após algumas horas, o cansaço já é visível na expressão de cada um. É pouco depois do meio-dia quando eles passam na Rua Vidal Chaves. Uma rua de famílias humildes, onde várias casas se apertam para que todos tenham um local para viver. Apesar de uma simples, o que nunca falta é a energia positiva e a solidariedade com o próximo. Ao chegarem lá, a equipe que trabalha sem parar sob sol ardente é surpreendida com a atitude de duas crianças. Os irmãos gêmeos Vitor e Murilo Guimarães, de quatro anos, fazem questão de parar o grande caminhão que passa em frente a casa, e dar aos trabalhadores um litrinho com água gelada. E começou a história com o tio dos gêmeos. O pré-adolescente de 11 anos, Marcos Gabriel Guimarães Krochisk conta o início de tudo.
“Eu sempre via eles passando e recolhendo o lixo. E se nós que estamos em casa, sentados já sentimos calor e sede, então imagina eles que todos os dias vem recolher o lixo que nós produzimos, seja chuva ou seja sol. Acho que o mínimo que eles merecem é essa simples ação de dar um litrinho com água”, disse Marcos Gabriel.
Já, para as crianças que seguiram os passos do tio, a simples tarefa de dar aos trabalhadores o litro com água é uma grande diversão. “Eles fazem a festa quando ouvem o barulho do caminhão chegando. Já saem correndo pedindo o litrinho com água e ficam sentadinho em frente a casa esperando o caminhão chegar. Para eles é uma emoção poder conversar e ver de perto o caminhão que para eles é tão grande”, explica a avó dos gêmeos, Terezinha Guimarães.
 
Força-tarefa para o bem

E para continuar a ação durante todo o verão, houve uma força tarefa em busca de litros descartáveis. “Eles passam aqui três vezes por semana e são três litros todas as vezes. Então algumas amigas minhas e colegas contribuíram dando os litrinhos para que enchêssemos com água, colocássemos gelar para dar aos coletores e ao motorista”, afirma a mãe dos gêmeos, Andressa Zambonin.
Para o motorista do caminhão que cumpre a rota naquela rua, o sentimento é de emoção, por ver crianças tão pequenas valorizando o trabalho que é tão essencial para a população. “Acho que dificilmente as pessoas param para imaginar como é importante o trabalho que fazemos. Você já parou para imaginar como seria uma cidade sem caminhão do lixo e sem os trabalhadores que executam esse trabalho? Então ver aquelas crianças tão pequenas e empolgadas em fazer algo pela gente nos comoveu. E é uma atitude simples, mas que tem um significado gigantesco”, disse Jocemir Campanha.
Para o coletor Cassiano Portella, que trabalha atrás do caminhão, é um alívio ao chegar na rua das crianças. “No dia a dia a correria não nos deixa ficar o tempo todo carregando um litrinho com água gelada. Então sabemos que quando chegamos naquele ponto, vamos ter uma água geladinha que alivia o calor dos últimos dias. As vezes, em dias de muito calor, dá até uma ansiedade para chegar logo na rua dos meninos”, disse Portella.
O motorista, Jocemir, comenta ainda que são as pequenas ações que fazem a diferença no dia a dia deles. “No bairro Bom Jesus, por exemplo, os moradores amontoam o lixo em um único local, para ficar mais fácil de concluir nossa rota. Outra atitude que é simples e faz muita diferença é a forma como os moradores jogam os cacos de vidro. Se você apenas jogar em uma sacola plástica, sem nenhuma proteção, pode ser perigoso para quem recolhe, por isso jogar os cacos de vidro adequadamente é muito importante”, disse.
 
A recompensa

E para recompensar as crianças pela boa ação que fazem, a equipe da Meio Oeste fez uma surpresa para os gêmeos. Ao meio-dia desta quarta-feira, horário típico que o caminhão geralmente passa recolhendo o lixo, eles trouxeram um presente para cada um. O embrulho dourado contendo dentro uma bola e uma caixa de chocolates fez as crianças ficarem ainda mais animadas. Os irmãos tiveram que subir no caminhão para abraçar o motorista e agradecer pelo presente, assim como também abraçaram os coletores.
“Isso é um incentivo e nos mostra de que as novas gerações também têm valores. Esperamos que outras crianças sigam esse exemplo de humildade e fraternidade que as crianças tem”< finaliza Jocemir Campanha.
 

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