Segurança é condenado por matar Bugrão no Posto Dudo

Sidney, que estava há mais de um ano preso, agora volta para casa para recorrer em liberdade

Foi condenado na tarde desta quarta-feira (18), o segurança Sidney Lima dos Santos. Ele foi submetido a júri popular e condenado por matar o jovem Ronaldo Rodrigues, na época com 24 anos, mais conhecido como Bugrão. Além da condeção por este homicídio doloso, ele também foi condenado por uma tentativa de homicídio doloso, já que também desferiu golpes de faca contra um outro indivíduo. A pena foi aplicada em 7 anos de reclusão em regime semi aberto.


O julgamento aconteceu na Câmara de Vereadores. A sessão foi presidido pelo Juiz de Direito André da Silva Silveira. A acusação ficou a cargo do promotor de justiça, André Ghiggi Caetano da Silva. A defesa ficou a cargo da defensora pública Elaine Caroline Masnik.




Até o meio dia, foram ouvidas duas testemunhas que estavam no local do crime e presenciaram os fatos. O outro segurança do local, e o funcionário que trabalhava no caixa já deram os seus depoimentos. O réu, Sidney Lima dos Santos, optou por responder apenas às perguntas da Defesa. Em depoimento, ele alegou legítima defesa. No período da tarde, o promotor e defesa falaram no tempo habitual e depois na réplica e tréplica.


O réu, que já está há mais de um ano preso, agora volta para casa para recorrer em liberdade, já que possui residencia fixa e família. O cumprimento da pena deverá ser em regime semi aberto.


O crime

Os crimes ocorreram em 17 de novembro de 2019. O réu teria desferido dois golpes com uma faca que atingiram a região do tórax da vítima, causando-lhe a morte. Na mesma data e local, o acusado teria esfaqueado uma segunda vítima, que não morreu porque foi socorrida e recebeu atendimento médico.
O crime aconteceu dentro do Posto Dudo, localizado na rodovia Engenheiro Lourenço Faoro, em Caçador. A vítima Ronaldo Simão Rodrigues Prestes, conhecido como Bugrão, morreu esfaqueado.




No local, houve uma briga generalizada no interior do estabelecimento. Um vídeo apresentado pelo promotor de justiça, mostra que Ronaldo foi atingido por um golpe de faca de Sidney. Na época dos fatos, Sidney foi detido no bairro São Cristóvão, na casa de sua mãe, e encaminhado à delegacia. 


“Segurança é insignificante para a sociedade”, disse réu

Sidney Lima dos Santos, segurança acusado pelos crimes de homicídio e tentativa de homicídio, alegou em seu depoimento no júri popular, que agiu em legítima defesa. Ele contou que no dia dos fatos estava trabalhando como de costume.


“Quando muitas pessoas ficavam dentro da loja eu seguia o protocolo e também ficava dentro da loja, até para evitar furtos. Começou uma confusão dentro do estabelecimento, e tinha muitas pessoas dentro da loja, eu tentei conversar mas não teve efeito. Quando nós chegamos para tentar separar a briga, parecia que éramos inimigos. Ronaldo tentou me agredir e dei uma tonfada nele para me defender. Estavam voando garrafas de vidro contra mim. Então vi o Ronaldo com uma garrafa quebrada na mão, tentei conversar, ele ficou alterado, me ameaçou e foi nesse momento que saquei a faca e o atingi”, disse.


Sidney disse que em nenhum momento quis tirar a vida da vítima. Segundo ele, o objetivo era se defender. “Penso que ali era eu ou ele. Se eu tivesse errado o golpe, ele teria me acertado com a garrafa. Depois vi meu companheiro sendo agredido lá fora  fui defendê-lo”, explicou.


Depois que os dois seguranças já estavam dentro da loja de conveniências, várias pessoas começaram a jogar objetos na porta do local, com a intenção de quebrá-la. “Para a sociedade o segurança é insignificante. A gente coloca a farda e se torna alvo”, disse Sidney.


O segurança estava com o curso de habilitação vencido, ou seja, não poderia estar exercendo a profissão. Para poder exercer, deveria ter feito o curso de reciclagem. No dia dos fatos, estava inabilitado. Sobre a faca que ele portava, ele disse que era para segurança pessoal. “Nessa profissão a gente recebe muita ameaça. Ali no posto mesmo já fui ameaçado várias vezes. E eu fazia um trajeto a pé para trabalhar, então levava a faca comigo para me defender”, disse.


O local já tinha histórico de brigas. De acordo com relatos, os jovens costumavam sair das baladas e ir para lá finalizar a noite. Muitas vezes, as desavenças já vinham das baladas.


Sidney era casado na época dos fatos. Inclusive é pai de uma criança de 4 anos. Ele cometeu o crime, jogou a faca em um lago e ao invés de ir para casa, foi para a residência de sua mãe. “Não fui para a minha casa porque queria proteger a minha família. Muita gente sabe onde moro e poderiam ir atrás. Mas eu ia me apresentar de qualquer forma”, disse.


Os passados do réu e da vítima



O promotor de justiça, André Ghiggi Caetano da Silva apresentou em sua fala alguns dos antecedentes criminais de réu e da vítima. A vítima, Ronaldo, já era conhecido no meio policial por envolvimento com tráfico de drogas. De acordo com o laudo pericial, no dia do crime, foi encontrada cocaína no corpo de Ronaldo.


Já o réu, já foi preso por violência doméstica. O promotor de justiça se demonstrou indignado com a versão apresentada pelo réu. “Seria mais digno se ele tivesse confessado. É homem para matar, mas para vir aqui e assumir a responsabilidade não tem coragem. Ele já chegou batendo. A confusão já tinha cessado quando ele desferiu a facada”, disse o promotor.


O promotor ainda apresentou o laudo pericial. De acordo com o documento o golpe acertou o coração e Ronaldo perdeu muito sangue. Foram apresentadas imagens do local. De acordo com o promotor, ninguém atirou garrafas contra os seguranças como disse o réu. “As imagens são claras. Não houve legítima defesa. Os seguranças perderam a cabeça, não conseguiram controlar a situação”, disse.


O promotor ainda salientou que em uma situação dessas a Polícia deveria ter sido acionada e que os seguranças não tem autoridade para agir daquela forma.


“Temos que nos colocar no lugar do outro”, disse a defesa



A defensora pública, Elaine Caroline Masnik pediu para que os jurados se colocassem no lugar do réu, no dia do crime. De acordo com a defensora, o réu fez o trabalho com os recursos que tinha, e infelizmente terminou em tragédia. 


“É fácil estarmos aqui sentados e julgando qual seria a melhor ação no momento. Mas será que outra atitude teria acalmado os ânimos. Na minha opinião ele agiu da única forma como poderia agir com os recursos que tinha no momento. Era a vida dele ou do Ronaldo. Me espanta que o réu tenha chegado até aqui preso. Ele fez o trabalho dele, e infelizmente causou a morte de uma pessoa que com certeza ele não queria”, disse a defensora.


A defesa ainda salientou que após a briga, aparecem várias pessoas revoltadíssimas. 


A defesa ainda salientou que que deve recorrer da decisão da sentença.

2 COMENTÁRIO(S)

  1. Mais daí vão testemunha somente os funcionários do posto e cadê as pessoas que estavam lá tbm ?

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