Eleição de 2004, em Caçador, teve um fato muito curioso relacionado ao marketing político que foi determinante para a primeira eleição do prefeito Saulo Sperotto (PSDB). Uma pesquisa feita antes da campanha mostrava que os principais problemas enfrentados pela população estavam relacionados com saúde, geração de empregos e conservação de ruas. Montamos algumas propostas com esses três temas, pregando mudança, e a campanha começou.

Um dia, o candidato chegou ao estúdio da Comunicasom, onde gravávamos os programas de rádio, e sugeriu que a promessa fosse que a festa do município teria entrada gratuita. Saulo teve esse “insight” após ouvir de famílias visitadas que o sonho delas era ir a festa ver os shows, mas não conseguiam por falta de dinheiro.

Elaborei então um texto, com a argumentação de que quem faz aniversário deveria bancar a festa e começamos a trabalhar a ideia. O assunto pegou. Faltando uns 15 dias para a eleição, fizemos nova pesquisa e Saulo já era o primeiro colocado, superando os adversários Assis Pereira, então do PT, e Carlos Evandro Luz, do PMDB. Perguntamos aos eleitores quantos lembravam de uma proposta dos candidatos e 60% responderam que sim. A segunda pergunta era melhor. Para esses que disseram sim, a qual a proposta que lembravam. Para a nossa surpresa, 90% desses 60% lembravam que o candidato Saulo Sperotto faria a festa com entrada gratuita. Saulo venceu a eleição e hoje está no terceiro mandato.



Maurício Grando e o sonho da Villaggio
Maurício Grando sempre foi um cara à frente do seu tempo. O conheci quando presidia a Associação Brasileira dos Produtores de Madeira. Uma época que o sonho de muitos caçadorenses, mesmo endinheirados, era ir para Curitiba e Balneário Camboriú, ele já rodava o mundo, vendendo madeira e tomando vinho.

Um dia descobriu que as terras dos campos de Água Doce eram propícios para a produção de uvas viníferas. Endoideceu e foi para a Europa atrás de cepas de qualidade. Sofreu na importação por questões fitossanitárias, mas não desistiu.
Plantou as vinhas, esperou a safra, colheu e fez os melhores vinhos brasileiros. Colocou no bolso gente de tradição centenária, como nossos vizinhos gaúchos. Incansável na busca de qualidade e caprichoso no que faz, transformou uma antiga fazenda de criação de gado num dos mais belos lugares da região.

Nesta semana o tal ciclone bomba passou por lá e levou o seu local de degustação. Quando vi as imagens da destruição me entristeci lembrando das tantas vezes que lá estive. Mas tive certeza de uma coisa: Maurício se reconstrói porque com ele nunca teve tempo ruim.
O sonho da Villaggio continua vivo. Lembrei do filme Caminhando nas Nuvens, com Keanu Rivees, onde um incêndio destrói um parreiral e a família reconstrói tudo a partir de apenas uma muda de parreira.
Maurício e o filho Guilherme Grando

Nova data
Agora não tem mais discussão. Senado e Câmara aprovaram e já virou emenda à Constituição Federal. Eleições de prefeito e vereador serão dia 15 de novembro.

Foge do assunto
Tem gente no MDB de Caçador que alimenta ainda uma esperança de ver o deputado Valdir Cobalchini disputando a Prefeitura. Ele elimina o assunto de cara. Seu projeto é a Câmara Federal em 2022 e já se movimenta nesse sentido. O MDB de Caçador tem sete pré-candidatos a prefeito: Aurélio de Bortolo, Carlos Kreuz, Imar Rocha, Márcio JF, Gilson Kolrros, Lilo e Beto Cruz.

Cadê o exemplo
O deputado Vicente Caropreso, do PSDB, apresentou um projeto de resolução da mesa diretora da Alesc obrigando os deputados a usarem máscara no interior do prédio do Legislativo, principalmente em plenário. Absurdo esse tema precisar ser objeto de projeto. Deputados deveriam ser o exemplo, já que cientificamente está comprovado que o uso de máscara reduz o contágio do coronavírus. Só para registrar, a deputada Paulinha, testou positivo. O que quer dizer que mais gente possa estar infectada na Casa.

Candidato
Preciso fazer um levantamento mais apurado, mas acho que ninguém foi mais vezes candidato em Caçador do que Osmar Barcaro, agora no PL. Só na política, sem contar as vezes que ele foi candidato a presidente da Liga Atlética Caçadorense. Pois agora Barcaro está anunciando que é pré-candidato a prefeito.

Com os dias contados
Daqui de Florianópolis, onde observo a política estadual, percebo que o governador Carlos Moisés dificilmente termina o mandato. E não será por motivos de corrupção. Será por incompetência mesmo. Processos de cassação não precisam de crime, mas sim de força política. Hoje sua força política é zero.

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