Reno, o eleitor e o colírio

Ex-deputado Reno Caramori me telefonou essa semana. Lembramos de boas histórias das campanhas que fizemos juntos. Ele, grupo de risco, está em casa, no bairro Santa Mônica, em Florianópolis, esperando a epidemia passar.

Tenho tantas histórias com o Reno que dariam um livro. Reno fazia suas campanhas na rua, nos botecos, nas festas, nas casas, sempre buscando contato direto com o eleitor. Esse sempre foi o seu jeito e numa época em que ainda não havia mídias sociais. Era no “teti a teti” o negócio.

Numas dessas campanhas, o eleitor chegou e foi pedindo:
- Deputado, preciso de uma passagem de ônibus para visitar a minha mãe que está doente em Curitiba.
- Impossível. A Reunidas está muito fiscalizada e se dermos uma passagem para alguém, cai a fiscalização em cima e estamos ferrados.
- Então me arrume um dinheiro, que dou um jeito na passagem.
- Não posso te dar dinheiro. Se alguém me vir entregando um dinheiro para você, vai me denunciar por compra de voto. Vou ser preso e ter a candidatura cassada.
Nisso, o eleitor viu um volume no bolso da camisa do deputado Reno e imaginou ser uma carteira de cigarros.
-Não tem passagem, não tem dinheiro, pelo menos me de um cigarro.
-Não tenho cigarro. Faz mais de dez anos que parei de fumar.
-Então, o que é isso no seu bolso?
-É uma caixinha com um vidro de colírio.
-Já que não pode me dar nada, pelo menos pingue umas gotas aqui nos meus olhos.

Temporal
Em 10 de novembro de 1998 Caçador enfrentou um temporal bem pior do que o ciclone bomba da semana passada. Foi muito rápido e terrível. Mais de mil casas destelhadas. Árvores e postes caídos com a força do vento.

Pegou uma área da cidade, do hospital Jonas Ramos até o bairro Gioppo. Nessa faixa o vento levou o que tinha pela frente. Anoiteceu e passamos a noite sem energia elétrica.

Os fotógrafos Jorge Tadeu e Elias Colpini – que também fotografava – saíram as ruas e produziram as fotos que ilustram essa reportagem que publicamos no jornal A Notícia.

No outro dia ainda não tinha energia na cidade. Fomos a Videira revelar fotografias e transmitir a matéria.

Era um tempo que fazíamos jornalismo de verdade. Diferente de hoje, nossos textos tinham até lead.

Na foto de capa, saiu uma foto da rua 25 de março e outra da Salgado Filho, onde o cabeleireiro Sebastião Moreira retira o gelo da casa da família Pacheco.

Na parte interna uma foto do antigo Paulo Schieffler, com uma árvore caída sobre o telhado, e a academia Tônus, com seu telhado destruído.

PT tem dois candidatos
Os professores Paulo Gonçalves e Jorge Gonçalves são os dois pré-candidatos a prefeito pelo PT em Caçador. Devem definir na convenção quem sai na cabeça ou se fazem alguma coligação com partidos do campo de esquerda.
O Partido dos Trabalhadores, dentre todos os partidos tradicionais, foi o que teve a imagem mais arranhada na Lava-jato. Apesar de políticos de diversos partidos terem caído com a “boca na botija”, foi o PT que acabou sendo o mais demonizado. Uma das causas da eleição do presidente Bolsonaro foi a narrativa anti-petismo que se criou na sociedade. Muitos eleitores, mais conscientes, não queriam Bolsonaro presidente. Mas, como sobrou apenas ele e o PT, optaram por ele.

Em Caçador o Partido dos Trabalhadores já chegou perto de eleger um prefeito. Em 2004, a diferença de Saulo Sperotto para Assis Pereira foi de menos de mil votos. Se os emedebistas à época não tivessem honrado o voto em Carlos Evandro Luz e descarregado de última hora em Assis, o PT teria tido o seu prefeito.

Em 2000, quando Caçador fez a grande coligação, para reeleger Onélio Menta, o PT já assustou com o desconhecido Eduardo Goes de Oliveira. Mas, mesmo assim a diferença foi de quase 3 mil votos. Em 2012, finalmente chegou mais próximo ao poder. Elegendo a professora Luciane Pereira de vice. Primeiro indiretamente, com Imar Rocha, e depois no voto popular com Beto Comazzetto.

Meta ousada
MDB estadual tem uma meta ousada para esta eleição. Presidente Celso Maldaner quer ver o partido elegendo 120 prefeitos e mil vereadores. Deputado Valdir Cobalchini, que assumiu a presidência da Fundação Ulysses Guimarães – braço de capacitação do partido – auxilia na coordenação das eleições. O momento é de definição de candidaturas e coligações.

Kinder ovo
Se antes já não dava muito as caras, agora com coronavírus é que o governador Carlos Moisés não sai mesmo de casa. E agora é por exigência dos protocolos de saúde. Mas quem espera um governador ativo, atuante, visitando o interior do Estado e conhecendo os problemas pode esquecer. Mesmo depois da pandemia não veremos isso. Não é o perfil do bombeiro. Isso é o resultado do voto na anti-política. Eleitor votou no kinder ovo, sem saber o tinha dentro, e quando foi conhecer a surpresa se decepcionou.

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