Bolsonaro quer e pode ser o novo Lula

Você que lê essas mal traçadas linhas enquanto se aquece nesse frio do inverno do meio-oeste sabe bem quem são esse dois senhores da foto. Atentai, como diria o senador piauiense Mão Santa: nos Estados do Nordeste está o terreno mais disputado por políticos populistas, como Lula e Bolsonaro. É lá que as eleições se decidem.

Lula, em 2005, quando percebeu que seria atingido pelas denúncias do mensalão, deixou os políticos discutindo na tv e foi para os braços do povo do nordeste. Anunciou a transposição do São Francisco e o grande programa de cisternas, para acabar com a seca. Para completar, vitaminou o Bolsa Família, colocando comida na mesa de milhões de brasileiros que penavam para sobreviver.

Deu certo. Se reelegeu com certa tranqüilidade, mesmo com as primeiras denúncias de corrupção no seu Governo, e fez a sua sucessora, uma tecnocrata que vivia distante da política. Esse capital eleitoral garantiu à Dilma ainda mais uma eleição.

Bolsonaro sacou qual é a parada. Na televisão seu Governo é questionado pela má gestão da pandemia e seus filhos são acusados de fazer as tradicionais rachadinhas com o dinheiro dos funcionários dos gabinetes. Afinal, é uma família que emprega mais em seus gabinetes com dinheiro público do que cerca de 80% das empresas brasileiras. Mas isso não é privilégio da família Bolsonaro. Aqui no sul maravilha, a família Amin se equipara.

Bolsonaro vai fazer igual a Lula. Ir para o nordeste inaugurar obras iniciadas em outros Governos. Mas isso não interessa. O que vale é o nome na placa e a foto nas redes sociais. Tal qual Lula, Bolsonaro vai bombar o Bolsa Família, inclusive mudando o nome para Renda Brasil e, se Paulo Guedes deixar, vai tornar permanente o auxílio emergencial de R$ 600,00.

Gostemos de Bolsonaro ou não, ele começa a pavimentar seu caminho para a reeleição. Assim como Lula que possuía e possui eleitores fieis, ele também possui os seus. Mais fieis que os eleitores de Lula até. Ele segue direitinho a cartilha do Lula, até nas fotos. E não se surpreendam se também começar a operar os meios não muito ortodoxos de arrecadação de campanha. Afinal, estamos no capitalismo e ninguém é de ferro.

Com uma esquerda fragmentada, sem um líder, já que Lula não disputará mais eleições em função das condenações, e com esses candidatos de centro tipo Doria, Amoedo e Luciano Hulk que não passam de Bolsonaros de sapatênis, o capitão se prepara para chegar forte em 2022. Meu sonho é estar errado.

Mas o Lula é ladrão, dirão seus fãs clubes. Atentai, digo parafraseando Mão Santa: Bolsonaro até ser presidente só teve oportunidade de fazer rachadinha. Hoje, não chamusquem vossas mãos. Elas podem fazer falta para digitar 38 em 2022.

E quem, mesmo não estando passando por necessidades, recebeu o auxílio emergencial, não tem moral para chamar ninguém de ladrão.


Tem dinheiro, sobra incompetência

Não é má vontade com o governador Carlos Moisés. São números. Ouvi o presidente da Fiesc, Mario Aguiar, dar uma entrevista na rádio Peperi – de São Miguel do Oeste - afirmando que a economia de Santa Catarina cresceu em julho 12% a mais, se comparado ao mesmo mês em 2019. Não acreditei. Longe de duvidar do presidente da Fiesc, mas números são traiçoeiros e fui conferir no Portal de Transparência.

Pois estão lá os números absolutos, que informam bem melhor do que apenas percentuais. Em julho de 2019, sem pandemia e com a economia bombando, Santa Catarina arrecadou R$ 3 bilhões e uns quebradinhos. Em julho de 2020, com a população aterrorizada com o coronavírus, o estado arrecadou R$ 3,4 bilhões. Com todo o cenário negativo, com todos os problemas e com o pessimismo, a arrecadação foi de R$ 400 milhões a mais.

Esses números só mostram como temos o Governo mais incompetente da história. Escrevo isso porque ouvi essa entrevista dirigindo por rodovias esburacadas, quase intransitáveis do oeste e meio-oeste.

E olha que R$ 400 milhões é muito dinheiro. Dava para dar um susto em nossas estradas.


Guerra dos pelados 50 anos

Você sabia que há 50 anos Caçador foi palco da realização de um filme do cinema nacional? Em 1970 Silvio Back filmou a Guerra dos Pelados. A maioria das cenas foi feita pelos lados de São João de Cima, hoje município de Calmon.

Baseado no livro de Geração do Deserto, de Guido Sassi, o filme tem como pano de fundo a Guerra do Contestado e de vez em quando pode ser assistido no Canal Brasil. Mas também pode ser encontrado no Youtube.

Mesclou artistas já consagrados à época, como Stênio Garcia e Jofre Soares. A mocinha era Dorothée-Marie Bouvier, uma brasileira com nome de francesa que incendiou o coração de muitos caçadorenses, barões da madeira, na época.

Contam os mais antigos que a cena dela entrando no Bar Marabá para comprar cigarros antes de se dirigir ao set de filmagens deveria ser eternizada numa tela. Na época, mulheres não entravam no Bar Marabá, muito menos para comprar cigarros.

Além dos atores consagrados, diversos caçadorenses participaram das filmagens e alguns ainda estão bem vivos por aí. Alcir Bazzanella, por exemplo, foi chamado, mas não aceitou raspar o cabelo que usa estilo Elvis Presley, que era o figurino dos pelados e ficou de fora.


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